março 17, 2015

Um texto dela


Como seria um texto dela se aqui ela estivesse, e outra fosse a realidade? Será que as lágrimas ainda iriam acordá-la? Quem poderia saber. Será que a pele ainda continuaria lisa e morena, ou teria empalidecido?
Bananeira, flamboyants... ah, isso eles sabem de cor. Às vezes chovia muito, e a roupa chegava soltando gotinhas. Mas até isso era bom, pois a lareira de sentimentos era maior do que qualquer arrepio que se pudesse sentir.
A cidade aumentou o sorriso, e eu pude enfim ver seus largos dentes esbranquiçados - quanta alegria! Ainda continuo carregando potes daquelas cores que coletamos, tanto no jamelão, quanto nas pitangas, mas, o que valeria colecionar cores, se eu não pudesse a cada novo instante agarrar mais uma?

janeiro 20, 2014

O portador do retrato de moldura


Banho de cuia, pingente que caiu e sumiu debaixo da cama. Mundo particular, vozes de crianças saindo da escola. Língua pigmentada das frutinhas que caiam ao chão, mas,  tinham mais sabor sendo retiradas do próprio pé. Grande homem borboleteando entre galhos - saciação do paladar. Ave que aparecia e sumia, será uma assombração? Pão em migalhas para alimentá-la. Mundo distante, onde a alegria da menina era ver o a árvore verde pintada de pontos vermelhos - pitangas. Ah, que emoção! Latidos fininhos de cachorro bebê. Lambidas... fios de barba refletindo o dourado-vermelho do sol - riso largo.
As lembranças, quando boas, fazem cócegas na alma quando nos assaltam. O cheiro de sândalo faz a viagem continuar.

dezembro 16, 2013

Vicent


A sensação de reconhecer algo que eu gosto só no olhar, me enche o coração de boas sensações. Pena é não conseguir transferir emoções na mesma proporção que com a qual elas me chegam. O sol dourado de dezembro revela tantas formas e cores antes não vistas. Os olhos parecem espalhar-se pela estrada das novas imagens, da nova vida que se revela a cada nascer do dia. Esperança transborda. Bondade, benigtude. A alegria parece ter cansado de ficar longe dos dedos das minhas mãos, e resolveu sair e me levar para tomar um sorvete numa tarde despretensiosa. 
Ufa! já consigo ouvir determinados timbres vocais através dos aparelhos de telefonia móvel sem me emocionar tanto. Os quilos de sal de rocha que produzi ainda estão para serem vendidos!
O verão chegou  para me fazer lembrar do doce da vida. Milharais, campos de trigo, tudo bem carregado de significados. As memórias são lindas e a vida se encaminhou para lugares exóticos e deliciosos. Ainda bem.

agosto 23, 2013

Com amor é mais caro

Signos. A semiótica vem, e vai, e sai e volta. As histórias e ideias se ressignificam ( ainda bem!). Paisagens insulares, barulho de vento fazendo cócegas em cabelos. Que dificuldade o que! Anda, segue e gira sobre o que quiser te prender. A mente vai além, as informações querem se aproximar, de carreta, de avião ou até através das patinhas das abelhas. Olhos delineados, bem pretos. Traço espesso - ela é rainha. Mas não esqueça, saudade existe e tudo sem amor é fraco. Barata e ordinária é a vida com alto teor de polipropileno. 

julho 01, 2013

Copo descartável com ondas


Luzes. Som, vibrações. Um bocado disso. Na cabeça um processamento intenso e constante das informações absorvidas de toda uma vida. Relações, conexões, abertas ou perdidas. Muito se fala a respeito dos pequenos e múltiplos flashes que se tornam um pequeno filme a passar diante de nós no momento do desapego da alma. Meus dias tem sido mais ou menos dessa forma, momentos bons confrontados com momentos esquisitos. E desse embate, muitas vezes, obtenho um sumo simpático, com bom aroma. Outras vezes nem tanto. Fétido, amargo, com má aparência. E me causa estranhamento perceber que isso também é produzido por mim.
A vida, coisa rara. Coisa bela e radiante. Duro é nos mantermos motivados cotidianamente, seja por um sorriso de um recém-nascido, seja pela ideia de uma vida que ainda não ancorou por aqui. E se for parar para analisar, é tudo tão rapidinho. É bom se dar conta que já apertaram o play da nossa vida há algum tempo. A escravidão parece diminuir, e de repente acho que vou ouvindo só o que convém. Peneira fina. Talvez não um bom caminho, mas faço. Corro. E corri como Lola atrás de algo que eu julguei importante. E a dor física me fisga a todo instante para me lembrar que dessa vez eu não consegui. Escorregou. Se foi, se esvaiu. E de noite, as lágrimas pareceram estrelinhas sem brilho. "Ah, mas não me diga isso, é só hoje." E logo terás um novo sorriso dourado enfeitando as árvores. "Felizes são os esquecidos, pois eles tiram o melhor proveito dos seus equívocos." 
Palavras. Neosaldina, tarde. Água, um bocado, por favor. "Da alfazema, fiz um bordado."
Hum... uma dose de coragem, um amor revelado, semeado e sem flores. Foi difícil perceber que aquele olhar, onde tantas vezes o mar existia com beleza única, secou. Desandou. 
Mas, dias perfumados virão. O sol virá bailar na janela, e consigo trará a noite que chegará branda, e quem sabe os sonhos sonoros com sabor de pitanguinhas maduras voltem. 

"Adoro teu olhar
Adoro tua força
E adoro dizer seu nome: Leila."

junho 27, 2013

Ritmo

Algumas coisas são tão pessoais e intransferíveis que parece uma traição tentar descrevê-las em símbolos. Mas, é preciso disseminar, compartilhar. Sentimentos muito grandes geralmente não cabem em nossos pequeninos corações.
Chuva, matinhos molhados, tráfego intenso. Poluição que colore as tardes de cinza e me faz lembrar da cidade, da vida corrida, da falta de tempo para o amor e para a amizade. O tempo é cada vez mais curto. As palavras deixam de cair como mangaba no chão, prontinha para consumo, para uma espécie de dose homeopática de veneno escuro, que entra, e força e tende a deixar tudo meio sem graça. Insosso. É difícil andar por aí com Vincent debaixo do braço, tentando deixar pelos cantos o amarelo-vida de seus trigos, seus vermelhos e verdes de Flamboyant. Mas, é preciso. Há a necessidade de espaços menos densos onde possamos repousar a alma, onde os livros, a boa música possam ser delicadamente cultivados. O assombro destrói, queima a pele dos sentimentos e sensações boas. Transforma a mente, a empurra para a beirinha do  abismo. Manoel de Barros salva. Hum, Gandhiji também. E que bom que no final sempre rola uma luz. Bom ainda ter olhos para enxergar. Bom ter orações e mantras para entoar e ajudar o mal a permanecer do lado de fora.
'Alfajores insulares', talvez a humanidade precise provar.

junho 05, 2013

Quase.


Era tardezinha, quando ao entrar em casa, presenciei a chuva levar consigo as lembranças grandiosas do amor que se tinha vivido. A água com suas mãos ferozes remexiam bem a fundo, revirando e afogando qualquer sinal daquele sentimento. E ao ver aquilo, pouco pude fazer. Tentei separar as memórias da água, mas pouco ou quase nada restou.
Agora pela manhã o sol mostrou seu sorriso implacavelmente dourado. Mas talvez ele mesmo forças não tenha para ajudar. Som, viagem, estrada. Longos são os dias que nos separam. Mato, gado e mais árvores. Nada físico, tudo se encontra agora no etéreo das nossas referências. Que quase não mudam, mas que me atraem, ainda assim.
Limpeza? Talvez.
Som muito, por favor. Cartelas de comprimidos, se possível.
Depressão? Quem sabe. Melhor não.
Mais amor? Quase.
Mas, amor é bom.

fevereiro 06, 2013

Psicodelia de imersão

Aqui é som de pitanga, sabor de folhas verdinhas e viçosas. Precisar de algo lá de fora é esporádico, pois aqui dentro de tudo tem: algodão em forma de anel de bigode, livrinhos escritos com ácido ascórbico, imagens pintadas com pinéis de sorriso.
É mar de flores azuis e brancas banhando os pés que de longe vieram. É arroz de bonança, trigo de harmonia. E quantos incontáveis sorrisos conseguimos pegar nessa imensidão de boquinhas em forma de sorriso. Estou. Sou. E somos. Por que assim quer a natureza, por que assim quer a sanfona.
Simplicidade na vida. Música, comidinhas risonhas para o paladar. A vida simples para um bom viver. E dragões, elfos, duendes - mágica para decorar o cotidiano. E quiçá, repartir em pedacinhos as energias que não se mostrarem positivas.
Quero vida, descanso, conformidade. Quero mãos sempre dispostas para estenderem-se até o bem. Corujinhas em seus ninhos sempre quentinhos. Sempre fortalecidos e macios. E que a psicodelia dos nossos líquidos continue a nos envolver cada vez mais, que nos forneça dia após dias todas as substâncias necessárias para o nosso 'embriagamento' de coisas boas. e é pelo telefone que chegam as informações: o amor é sim uma chance, uma escapatória para combater toda a maldade que no mundo possa existir. Armas a postos: flores, carinhos, doces e seus desenhos.

setembro 25, 2012

Oxe, como era doce.


Arrebatamento. Fundição, horizontalidade - talvez um processo de readaptação ou recolocação das coisas e suas densas ressignificações tenha acabado de começar.
Pés na areia, azul nos olhos, gotinhas de mar respigando na face. Os pelos dos braços se eriçavam, talvez por não saber o corpo reagir de forma outra aos tantos múltiplos estímulos que aquela voz cálida produzia. Estou emersa nesse líquido colorido e psicodélico. Quero estar. Embriagar minhas células nessa atmosfera inebriante que é você. Remar, remar e abraçar tudo de místico que o seu olhar puder me transferir.
O mar... as ondas quebram, mas não se partem. Gostam de se debater contra as pedras só para lhe produzir música. E sim, consigo ver exatamente o encantamento que você desperta nelas. E fico ali, quietinha, observando o espetáculo que é a sua existência.
O ar entrando e saindo, os seus sorrisos 'pantoneando' qualquer parte em branco que a tela da minha tarde pudesse ter. Temperatura, outra palavra doce que está no processo de redescobrimento. A sua, quente. O sol se pondo, dois, olhos, seus - fitam-me.
O horizonte cálido em sua formação à nossa frente me leva a querer estar na posição dele - horizontalizada em infinitos finitos.
O tempo é pouco. Mas seria o tempo vasto o suficiente para aqueles que possuem seus copos  transbordando de sentimentos? Seria justo, o tempo, uma divindade para aqueles que tocam a pele à procura de alma?
 

abril 18, 2012

Calma, Jade, azul

E no final das contas, a felicidade vivida pelas pessoas, em frascos, vasilhas, vasilhames, não são nem de longe "reais". Ela só se torna real quando esses líquidos encarcerados são dissolvidos nas águas dos oceanos, contaminando imensas porções de terra com o seu riso alegre de verde de algodão doce de menta de domingo de parque de diversões.

abril 17, 2012

As asas, as canetas, as letras e os rosas de celulares sem tecnologia

Depois de encontrar-me com As ondas, de Virginia Woolf, parece que ato da escrita se re-novou, se re-criou dentro de mim. Mais um modo parece fundir-se aqui dentro, um jeito outro, novo, mas nem tão jovem assim. E todas as coisas parecem ter recebido complexas camadas de informações extra, as quais eu ainda não tinha olfato para sentir. E é tão massiva e quente a identificação que aconteceu, algumas vezes parece até que os personagens estão dialogando comigo, ou, em algum momento, me pergunto se não tinha escrito algum trecho ( não, não que eu possua uma rede tão vasta de significações e significados como ela, mas talvez, as mentes inquietas cheguem num lugar comum). E assim, as caminhadas, as subidas nos ônibus cheios aqui na cidade de Camaçari, têm sido menos exaustivas do que normalmente são.

"No último natal, um homem afogou-se, sentado sozinho em sua carroça..."

fevereiro 07, 2012

Fumaça no céu

Eu te pedi que me salvasse. Acreditei nas palavras que te disse. Não sabia se era possível, mas, podia acreditar no que eu te dizia. Você sorri, você sempre sorri, e talvez seja essa a sua característica mais bonita. Sempre compartilho de um bom sorriso seu, é como se eu sempre estivesse a ver o amarelo, vermelho e laranja de Van Gogh. É como se eu estivesse indo trabalhar e aquela cor mágica que só os flamboyants possuem, me levassepara um outro mundo. Onde a realidade é colorida e o ar mais leve. E aos poucos vou descendo naquelas camadas todas de tinta. Você é tão real, seu sorriso tão transformador, que sempre posso passar o tempo a te ouvir contar histórias da vida, sempre de um jeito tão gentil que poderia te pedir em casamento ali mesmo. Você é meu. Vejo, percebo, sinto quando faço careta pra chupar limão. De mim você tem os mais nobres sentimentos, e gosto de me pegar desatenta te desejando alguma coisa boa. Significamos. E isso é o que me alegra, isso é o que me faz registrar cada mudança de expressão sua. Mas estamos preparados? Os traseuntes estão preparados?
Sinto falta de ouvir palavras soltas, voando como magnificos balões em forma do que quer que seja. Mas não, você não pode me salvar, assim como também não posso fazer isso por você. Não por perversão, mas simplesmente por não poder. O vento é tão agradável, gostaria de estar olhando para qualquer pedaço de realidade ordinária com você, mas onde está a minha paciência? Será que aquele manjericão a ingeriu? Onde está você quando toco a cadeira e sinto só um resto do seu calor? É o que você quer. É o que eu não quero. Um impasse. E não há como resolver isso, pelo menos não por agora. Você não quer. Eu quero. Mas o preço da sua diversão, o preço que se tem a pagar pela sua atenção e consciência é muito alto. E o que me trazes de lá? Um pingente de estrela? Um papel de parede do cosmos? Eu não consigo ver nada, talvez você esteja muito acima, não posso simplesmente segurar no seu pé, não posso e não quero esmolar nada.

janeiro 30, 2012

Dance pra mim minha Deusa, por que o copo é sensível

A noite pra quem anda desejando é como uma camada quente de queijo sobre o macarrão que está em sua frente. Passamos por gatos azuis, elefantes brancos e quem sabe, aquele último tinha sido um vagalume vermelho. Os olhos que nunca mais tinham se encontrado puderam se entreter numa avassalador porem rápido encontro. Mas, diferentemente do que alguns possam e devam imaginar, as sementes não mais germinaram quando os cílios foram regados com aquela água cheirosa.
Substâncias. Talvez sejam elas um molho de chaves necessárias para abrir as portas dos saborosos textos. Viagens são concedidas, diz o homem da gravata amarela. Chegou ele ao alcance da minha visão oferecendo skis para os que quisessem deslizar na branca neve de Bariloche - Eu sempre tenho medo de me machucar, pois neve sempre queima (ou não). Engraçado como ele chega, chamando a atenção de tanta gente - um espetáculo a parte. Mas, se no Chile eu já estava, preferi saborear um bom vinho.
No meio de uma dessas coisas etéreas, num desses copos de cerveja prostituídos, a moça que caiu do céu em forma de gente dançou como deusa para o cara que conseguia ver através daquela máscara humana. É tanta cor misturada, tanta psicodelia no ar que entra em nossos pulmões, mas... a gente não pode esquecer que os copos são muito sensíveis :)

janeiro 09, 2012

O entusiasmo de Desidério ao encontrar faíscas de felicidade

E andar tem sido uma experiência transcendental. Como se a todo momento estivesse consumindo flores de Fidel Mix ou Gorby Mix...rs. Brincadeiras a parte (ou não), o caminho que tem se estendido diante dos meus pés está pra lá de emocionante. Gosto de analisar as coisas simples...como um clipe de Bjork mostrado sutilmente numa noite quente, como sentar numa rocha antiga e apreciar o movimento das árvores e seus antigos espíritos. Há quem acredite que estamos próximos da re-ativação da nossa perdida conexão com as plantas, e eu aguardo ansiosamente por esse momento... tanto conhecimento para ser transmitido e os nossos canais aqui "fechados".
Adoro ser abordada pelo senhor Tumnus :)

setembro 22, 2011

Cognoscere - ou simplesmente: a importância de conhecer

Longos teem sido os dias de absorção de informações. Já nem consigo mais saber quando tudo isso começou, quando essa consciência de que as coisas podem dar certo me invadiu. Manhãs construtivas acontecem... e me alegra caminhar pelas ruas e poder reconhecer o trabalhos dos meus sentidos. Cada som, cada cheiro, cada desencadeamento de pensamentos que determinada refração da luz causa. Nos últimos dias tenho intensificado a leitura do Bhagavad Gita, e me assombra a quantidade de coisas que eu achava que sabia a respeito das coisas. Mas, por outro lado sinto-me aliviada, por não chegado tão tarde a determinadas informações.
Tenho que ter mais disciplina e não deixar os fragmentos se acumularem. Gostaria de dizer muito, mas devido ao fato de 'as coisas' estarem sendo mexidas no caldeirão da minha consciência neste momento, fica um pouco difícil escrever a respeito de como a vida tem se comportado depois delas.
Gostaria de deixar algumas palavras a respeito de coisas antigas do mundo que estão, de uma forma ou de outra, ajudando na fermentação dos tijolos que usamos para construir um caminho alegre:

1 - AUM ou simplesmente OM
Som semente que desenvolve o centro da força da terceira visão, responsável pela intuição, meditação e pelos fenomenos da telepatia e clarividência. Sendo o mantra mais completo e equilibrado, sua vocalização não oferece nenhum perigo nem contra indicação. É um mantra altamente positivo. (Engraçado que ao me inteirar disso, ao entrar no meu quarto percebo que tenho um incesário com o OM grafado... daí o pensamento nascido: como é importante conhecermos os signos!)

2 - Flor de lótus
As raízes do lótus estão na lama, o caule crese através da água, essa metáfora fortalece a flor perfumada que desabrocha sua beleza acima da água a cada raio de sol. Este padrão de crescimento significa o progresso da alma, que mesmo adversa, vindo da lama, materializa-se na primavera e sobrepõe-se a todas as adversidades. ( Apesar de saber um pouco a respeito disso que foi dito, foi preciso entender tambem o significado de buda, de karma, pra poder eu conseguir ter aquele velho 'start' a respeito da metáfora 'por detrás da flor').

3 - Nirvana
É um estado de espírito onde o ser livra-se de todo sofrimento que aflige os humanos. É não necessitar mais re-encarnar. É a extrema paz. É a meta do budismo. (esse conceito de nirvana é muito mais amplo do que o que eu coloquei aqui...foi e é uma descoberta boa pra se fazer a cada dia).

Teriam muitos outros para postar aqui... mas farei isso numa próxima oportunidade. No final, o que eu quero dizer com tudo isso, é que o amor ainda é a grande chave de tudo. Transparência com o outro e consigo mesmo. E entre um intervalo e outro, ter sempre um pensamento que lhe traga algo de bom.

OM HRIM BRAHMAYA NAMAH - para trazer ânimo e felicidade.

julho 10, 2011

Ný batterí ou sobre as pilhas novas inseridas

Ainda bem que já não somos os mesmos. Coisas, acontecimentos. As estrelas desceram, escorreram pela face e se transformaram em vida. Assim, à noite, elas já não se materializam em gotinhas salgadas, já não remetem à uma saudade doentia, ou quem sabe àquela simples dependência. Gosto da sensanção de energia novo. Gosto de ver seus olhos florirem. Gosto da noite e das estruturas transparentes aquosas que bailam de cima para baixo sobre a sua pele - minha.


Estou nadando muito. Sempre e por quase todos os lados. Mesmo sem saber como faço para nadar. Estou indo, sentindo cada brisa colorir a minha alma. E são tantas as cores que o mundo imprime em mim... espero que lá do outro lado, onde a língua é mais confusa, a mesma alegria invada de vez e por vez tambem o seu coração.






*Imagem gentilmente roubada do artista Bruno Nunes






maio 19, 2011

Sobre a delicadeza: ou, o que resta da beleza na humanidade.

É preciso tempo pra deglutir, degustar todas as coisas boas que felizmente recaem sobre o meu cotidiano. Ontem estava a pensar: preciso de um gravador. Em simples 20 minutos, tempo de caminhada até o lugar onde trabalho, percebi tantas coisas. Tanta beleza que só poderia ter sido produzida por nós - afirmação feita sem ego negativo. Cheiro de amaciante em roupa lavada, que me traz tantas boas recordações...e o turbilhão de boas sensações que isso me causou e me causa. O tênis novo e branco. Os cachorrinhos na rua. Morria em mim um mal humor...de ter acordado cedo, de estar chovendo...mas, diante da vida acontecendo e pulsando ali diante mesmo dos meus olhos, não pude deixar de sorrir, e perceber que a maneira com a qual acabamos seguindo nossos dias, trabalho, problemas, stress, cobrança, impedem que o canal da nossa sensibilidade impere. Gosto dessa quebra de ritmo. Gosto de tempo para respirar, para lembrar dos acontecimentos bons que eu ja presenciei. Gosto de sentir a beleza escorrendo pelas mãos dos homens, gosto de admirar a maneira como alguns ainda lidam com delicadeza com o que é vivo. Gosto de me sentir viva, de saber que os meus órgãos estão funcionando bem, apesar daqueles dois hot-dogs ontem...rs.

Adoro sonhar. Com meu corpo em outro lugar, respirando o cheiro de outras flores, ouvindo o som de outros mares. Tenho um pouco de medo, pois às vezes tenho vontade de estar em todos lugares, de jogar pedrinhas em todos os rios, de tomar por fim aquela taça de vinho com aquela borboleta - coisas a resolver talvez. Tenho saudades de tantos outros momentos bons. Tenho saudade da praça que fica em frente à igreja com teto de ouro, tenho saudade de comprar água em dias de verão. De comer acerola em um dia dourado. De cerveja para acompanhar a contemplação de uma paisagem que nunca mais será a mesma diante de nossos olhos.

Sonhos. Os tenho em grande quantidade. E gosto de elencar aqueles que já bailaram diante de mim, para eu ter a doce sensação de que tudo é possível, de que a realização desles, só depende do tamanho da força da nossa atração.

O mundo é bom e novo como o tom da minha paixão. O mundo é lindo e velho como o tronco da minha vontade de escrever um livro. O mundo é quente como uma drusa de ametista.




abril 06, 2011

Cigarrets

Hoje deixarei algumas pessoas tristes. Talvez consiga eu, permear em seu imaginário, quiçá em sua pele, a difícil tarefa que o meu cerebro (que já não é tão leve e sadio quanto o de um adolescente) teve que enfrentar. Talvez episódios como esses acontecam para o fortalecimento de um ser que não tem estrutura física nem psicológica para conflitos. Mas não me refiro a coisas que de uma certa forma tenham fundamentação no mundo daqueles que carregam um pouco de "sanidade". Falo de episódios surreais, que se tangessem para o lado bom eu adoraria, mas, infelizmente, tangem para uma espécie de loucura sádica, 'tortura Hitleriana', se é que essa palavra existe. Algo que degrade, que te de deixe perdido no emaranhado de pensamentos que queiram talvez justificar os atos de alguém cujo raciocínio você não entende, nem nunca entederá. Não por nunca ter se esforçado em fazê-lo, mas justamente por nunca ter compactuado com tal dissimulação gestual, icônica, moralista, ideológica. Até por que, pertubar a mente, fazer chorar, menosprezar, não são ofícios que eu em algum momento achei bacana.
No fim, acho que o sadismo se desfez, pois finalmente chegaram às retinas as gotinhas translúcidas. Quente foi a sensação que elas provocaram ao bailarem face abaixo. Acho que o bom mesmo foi o menino do cigarro. Que apesar de não estar se fazendo muito bem, segurou o meu nariz, impedindo que ele colidisse com o chão. Peço até desculpas por ter causado ciúmes na moça que, mesmo estando no lugar onde a brisa se fazia, calor sentia. E um outro obrigada ao Arnaldo, por ter se desculpado por ter me feito chorar :)

"Desculpe, se eu fiz você chorar
Te esqueça. Olhe, o sol chegou.
Me abrace. Diga-me o meu nome. Diga que você me quer..."

*Tela: Íris, no jardim, de Monet





fevereiro 27, 2011

Fragmentos


Engraçado ouvir o Damien me questionando se: "Você escova os dentes após beijá-lo?" ou ainda, "Você sente falta do meu cheiro?". Nessa manhã chuvosa, as gotinhas caem felizes para no chão descrever a felicidade de seres que há algum tempo não sorriam com a suavidade de seu toque. Condensação de palavras. Magia estética, saudade que se sente ao acordar.
Talvez a quantidade de palavras sussurradas tenha sido demasiada. Talvez eu não tenha mesmo por que entrar em questionamentos daquele cunho. Talvez a minha vontade de consertar o mundo, ou quem sabe apenas a vontade de transparecer o que percorre nos veios do meu ser. Bom, talvez. Precipitado, talvez. Talvez o mundo tenha corrido em minha frente e eu não o tenha conseguido alcançar. Talvez as histórias antes guardadas em gavetinhas decoradas tenham enjoado do formato quadrado de sua realidade e tenham pulado para fora, transformando-se quem sabe em flocos de neve. As sambadeiras sambam, e junto a elas os poros de nossa pele parecem se confortar, talvez uns nos outros. Talvez em nós ou em nossa vontade. A luz reflete nas pupilas e talvez alguns sonhos sejam ensaiados naquele ombro. Conforto. Respiração leve. Talvez goste muito disso. Talvez. Estalar dedos, talvez não, eu gosto.
A noite traz ou trouxe em seus cabelos uma linda flor, que com o passar do tempo, como toda flor que está longe de sua árvore, pareceu perder sua vivacidade. Tão bonita era ela no início. Não gosto de ver os fios opacos por falta de energia cósmica naquela linda flor. Tentou-se melhorar, mas acho que talvez outra semente tenha que ser plantada. Quem sabe novos frutos, ou ainda flores que durem mais. Talvez a culpa (palavra dúbia) tenha sido das palavras um pouco ácidas. Talvez a delicadeza da flor não tenha suportado a aspereza. Talvez a noite tenha exalado perfumes tóxicos, que cheiram, mas iludem. A noite é linda, lembro de ver uma estrela apenas a admirar junto a mim a lua. Talvez beleza demais. Talvez olhos ainda não preparados os meus – dois. Ou quem sabe foi apenas aquele sonho do qual eu me recordei, aquele que se sonha uma vez e se acha que é filme.

janeiro 25, 2011

Tinta telas e mãos

"Se ela mora no arranha-céu? E se as paredes são feitas de giz? E se ela chora num quarto de hotel? E se eu pudesse entrar na sua vida?".

Lembrei do começo das eras... latas de coca cola, sanduíches na madrugada. Plantas em supermercados, caipiroskas de kiwi, sorvetes e muito Mc Donald´s. Coisas que você provavelmente nunca soube e nem desfrutou. Tudo bem...não digo que tudo foi Ipiocá de frutas vermelhas, mas...o que fica são as telas alegres. As pintadas com inspiração e tintas quase coloridas. A vida segue, e junto com ela ciclos se iniciam, outro duram e outros ainda terminam. E é assim com todas as borboletas que encontro por aí, sejam elas claras ou escuras.
Às vezes vejo seres humanos com suas cabeças na calçada se auto mutilando. Batendo com grandes marretas, testando a densidade dos ossos do crânio. Me amedronta a capacitade que alguns possuem de usar os pés para andar para trás, e esquecem que em sua face existem músculos que quando estimulados produzem sorrisos, e além disso, cordas vocais que, quando a passagem do ar está aberta e este as toca, pode produzir sons como o de uma gargalhada.
Gosto de escrever as coisas que você talvez não leia. E de sentir todos os raios de sol que não tocarão a sua pele. Gosto de ouvir as histórias que são pequenas para os seus ouvidos, e de tomar os uguentos que para o seu paladar são intragáveis. Tantas diferenças...tanta antítese. Tanta, tanta...que não me espanta o dedo em riste, bailando na noite atrás de respostas para algo que talvez nem mais ali esteja...
E mais uma vez as tintas se misturam, espero que por fim, uma bela tela possa ser feita.
Mas é que "eu tenho muito sono de manhã."