Abril 18, 2012

Calma, Jade, azul

E no final das contas, a felicidade vivida pelas pessoas, em frascos, vasilhas, vasilhames, não são nem de longe "reais". Ela só se torna real quando esses líquidos encarcerados são dissolvidos nas águas dos oceanos, contaminando imensas porções de terra com o seu riso alegre de verde de algodão doce de menta de domingo de parque de diversões.

Abril 17, 2012

As asas, as canetas, as letras e os rosas de celulares sem tecnologia

Depois de encontrar-me com As ondas, de Virginia Woolf, parece que ato da escrita se re-novou, se re-criou dentro de mim. Mais um modo parece fundir-se aqui dentro, um jeito outro, novo, mas nem tão jovem assim. E todas as coisas parecem ter recebido complexas camadas de informações extra, as quais eu ainda não tinha olfato para sentir. E é tão massiva e quente a identificação que aconteceu, algumas vezes parece até que os personagens estão dialogando comigo, ou, em algum momento, me pergunto se não tinha escrito algum trecho ( não, não que eu possua uma rede tão vasta de significações e significados como ela, mas talvez, as mentes inquietas cheguem num lugar comum). E assim, as caminhadas, as subidas nos ônibus cheios aqui na cidade de Camaçari, têm sido menos exaustivas do que normalmente são.

"No último natal, um homem afogou-se, sentado sozinho em sua carroça..."

Fevereiro 07, 2012

Fumaça no céu

Eu te pedi que me salvasse. Acreditei nas palavras que te disse. Não sabia se era possível, mas, podia acreditar no que eu te dizia. Você sorri, você sempre sorri, e talvez seja essa a sua característica mais bonita. Sempre compartilho de um bom sorriso seu, é como se eu sempre estivesse a ver o amarelo, vermelho e laranja de Van Gogh. É como se eu estivesse indo trabalhar e aquela cor mágica que só os flamboyants possuem, me levassepara um outro mundo. Onde a realidade é colorida e o ar mais leve. E aos poucos vou descendo naquelas camadas todas de tinta. Você é tão real, seu sorriso tão transformador, que sempre posso passar o tempo a te ouvir contar histórias da vida, sempre de um jeito tão gentil que poderia te pedir em casamento ali mesmo. Você é meu. Vejo, percebo, sinto quando faço careta pra chupar limão. De mim você tem os mais nobres sentimentos, e gosto de me pegar desatenta te desejando alguma coisa boa. Significamos. E isso é o que me alegra, isso é o que me faz registrar cada mudança de expressão sua. Mas estamos preparados? Os traseuntes estão preparados?
Sinto falta de ouvir palavras soltas, voando como magnificos balões em forma do que quer que seja. Mas não, você não pode me salvar, assim como também não posso fazer isso por você. Não por perversão, mas simplesmente por não poder. O vento é tão agradável, gostaria de estar olhando para qualquer pedaço de realidade ordinária com você, mas onde está a minha paciência? Será que aquele manjericão a ingeriu? Onde está você quando toco a cadeira e sinto só um resto do seu calor? É o que você quer. É o que eu não quero. Um impasse. E não há como resolver isso, pelo menos não por agora. Você não quer. Eu quero. Mas o preço da sua diversão, o preço que se tem a pagar pela sua atenção e consciência é muito alto. E o que me trazes de lá? Um pingente de estrela? Um papel de parede do cosmos? Eu não consigo ver nada, talvez você esteja muito acima, não posso simplesmente segurar no seu pé, não posso e não quero esmolar nada.