fevereiro 27, 2011

Fragmentos


Engraçado ouvir o Damien me questionando se: "Você escova os dentes após beijá-lo?" ou ainda, "Você sente falta do meu cheiro?". Nessa manhã chuvosa, as gotinhas caem felizes para no chão descrever a felicidade de seres que há algum tempo não sorriam com a suavidade de seu toque. Condensação de palavras. Magia estética, saudade que se sente ao acordar.
Talvez a quantidade de palavras sussurradas tenha sido demasiada. Talvez eu não tenha mesmo por que entrar em questionamentos daquele cunho. Talvez a minha vontade de consertar o mundo, ou quem sabe apenas a vontade de transparecer o que percorre nos veios do meu ser. Bom, talvez. Precipitado, talvez. Talvez o mundo tenha corrido em minha frente e eu não o tenha conseguido alcançar. Talvez as histórias antes guardadas em gavetinhas decoradas tenham enjoado do formato quadrado de sua realidade e tenham pulado para fora, transformando-se quem sabe em flocos de neve. As sambadeiras sambam, e junto a elas os poros de nossa pele parecem se confortar, talvez uns nos outros. Talvez em nós ou em nossa vontade. A luz reflete nas pupilas e talvez alguns sonhos sejam ensaiados naquele ombro. Conforto. Respiração leve. Talvez goste muito disso. Talvez. Estalar dedos, talvez não, eu gosto.
A noite traz ou trouxe em seus cabelos uma linda flor, que com o passar do tempo, como toda flor que está longe de sua árvore, pareceu perder sua vivacidade. Tão bonita era ela no início. Não gosto de ver os fios opacos por falta de energia cósmica naquela linda flor. Tentou-se melhorar, mas acho que talvez outra semente tenha que ser plantada. Quem sabe novos frutos, ou ainda flores que durem mais. Talvez a culpa (palavra dúbia) tenha sido das palavras um pouco ácidas. Talvez a delicadeza da flor não tenha suportado a aspereza. Talvez a noite tenha exalado perfumes tóxicos, que cheiram, mas iludem. A noite é linda, lembro de ver uma estrela apenas a admirar junto a mim a lua. Talvez beleza demais. Talvez olhos ainda não preparados os meus – dois. Ou quem sabe foi apenas aquele sonho do qual eu me recordei, aquele que se sonha uma vez e se acha que é filme.

2 comentários:

Rasta disse...

Passei por aqui. ;)

Deize Almeida disse...

uau que lindo Dali "a felicidade de seres que há algum tempo não sorriam com a suavidade de seu toque", gostei muito disso;
tem uma energia implícita no ambiente, tem gente que ouve falar, e tem gente que sente.