fevereiro 09, 2009

Deixa...


Eu ando, e você tambem. Eu uso os pés e tambem os cílios para andar. E você vem logo atrás, a me observar colecionando flores, colecionando tons de verão. E eu armazeno cada olhar que você produz, cada gesto, cada pétala gentilmente cedida aos meus cabelos. E sorrio. E sorri de lá a imagem mais esperada de um longo tempo. E pulsa o coração de tanta certeza, e chora desesperadamente o meu ciúme, e me acalma o Vinícius, que outrora foi de mim até você e que agora retorna. E me arrebata com tanta poesia, tanta mágica mesmo embaixo de uma temperatura tão alta.
É você que acordou hoje comigo em cada pequeno pensamento matinal. E foi você quem me cedeu a pele para que eu pudesse proteger. Foi você quem segurou a mão e experimentou limão de uma outra forma, framboesas ao dente. Cevada em grandes recipientes com sugadores coloridos. E voltou no tempo para ver os brinquedos nos fazerem recordar, e quem sabe nos levar a acreditar que existe ainda possibilidade de uma realidade mais nossa, menos deles. E é você que me embrenha em abraços marinhos de polvo grande de oceano, e me canta "Morena" a la Camelo.
...
Gosto de ficar azul, e vi que você gosta dos meus pés azuis. Água pra lavar pé mais uma vez. Água de escorregar só pra nos fazer sorrir. Á gua de hidratar os corpos ressecados do contato direto com as bebibas dos navios...e agora é a existência que pede para que existamos, e acabamos nos rendendo, e existimos um para o outro, crua e fielmente. Cada pestanejar, cada bocejar, cada pequena coisa que possa enfim atingir aquela matéria...e os prédios ficam pra trás, nos fazendo enxergar apenas o que há de infinitamente bom.
Suspiro.
Chegou.
Até amanhã?

janeiro 19, 2009

É como se você estivesse lendo sobre isso em algum roteiro

Divertido ver o caminho que construímos, desenhamos, moldamos e tantas outras vezes erramos. Bonito sentir que ao longo do tempo você vai armazenando ou até colecionando asas dos mais lindos seres humanos, uma sensação boa, capaz de alimentar por horas seguidas o coração apático e desnorteado que carrego dentro do peito. E Janeiro que se segue tão calmo como as enzimas do meu corpo quando eu como azeite... e de quem será aquele cravo dentro daquele copinho? E aquele salto que se perde por dentre as pedras. Talvez se queira comprar novos pés. Não é tão dificil saber onde podemos arranjar uns novos. Aproveitamos para admirar aquelas belezas que ali estavam todo esse tempo, mas a falta de chocolate em pequenas caixas não deixava ver.
Pedras e pés. Uma boa combinação. De Otto, até chegar nos dias de Janeiros, quentes e geralmente impregnados de ares de outros lugares. E samba com o pé também, e se tenta sambar, e se tenta entender o Recife e por que não Bogotá e Bagdá? Afinal, não tem como passar o Fevereiro esperando que enfin o Setembro aconteça... Meus pés tem uma pigmentação que tende para o vermelho... será novos pés novos? Inventamos quadrados, mas será que todo mundo sabe fazer uso? Água? De beber tem, e de lavar pés tambem. Você fica bem de turbante. MAs a sua coluna está torta, engraçado você cantar assim, seria um soprano? Plugs devem ter material tecnológico para serem acoplados, às vezes produzem sons agradáveis. Mas não esqueça de escovar os dentes com as palavras certas amanhã, novos pés´precisam de palavras mágicas cotidianamente, assim disse aquele de cara prata pedrificado.
Fiquei com vontade de perguntar se realmente havia limão pra lavar garganta. Isso geralmente ajuda a pensar melhor, e ao invés de tocar em sua mão, eu poderia beijar um dedo seu, ou quem sabe o pé inteiro. Depende da água, se serve para retirar impurezas. Mas não enconsta o quiexo dessa maneira no ombro, tenho um pouco de medo de espelhos.
Orgânico. Isso é uma boa definição. De repente, se eu falo que não li isso, será que me creditariam?Rs
Vou pintar um centopéia fazendo "pisck" só pra você sorrir.

''Just to see that smile
Makes my life worthwhile...''

janeiro 04, 2009

Quem sabe quatro segundos

Quatro segundos para pensar, medir, refletir. Para meditar, questionar e talvez repetir. Outra vez o desejo do bem, o caminho do acerto. Alguns segundos para as desculpas, para os band-aids nas feridinhas, e também a desintoxicação dos olhos. Fazer partir as lágrimas salgadas de tristeza, por um arco-íris dentro daquelas minhas íris. E respirar profundamente, sem medo de nenhum corpo externo venha atrapalhar a trajetória do ar até os meus pulmões. E lembrar do ano que passou, dos primeiros momentos dele ao seu lado. Do vinho derramado e de tantos outros tomados. E pedir pra que esse amor não morra tão rápido, que o seu relógio enfim encontre uns quatro segundo que seja pra voltarmos a comer aquelas amoras selvagens. Produzir novos signos, saudar o futuro e a eternidade. E beijar-te assim os olhos, insuflando toda a verdade que os seus poros necessitam para seguir em frente. "4 de Janeiro é um dia difícil pra mim, sempre foi".