março 07, 2008

Foi tão distraído...


Sim, na maioria das vezes é difícil de enteder o que das minhas cordas vocais sai. Não que eu emita diferentes sons dos que você está acostumado a ouvir, o problema não é esse. É que na luta de tentar me dizer, de tentar por pra fora aquilo que dentro mesmo do meu cerebro foi processado, boa parte se perde. E não por ter sido concebida sem o poder de fazer síntese. É algo que foge ao controle. E nada mais é do jeito que deveria ser, as palavras são antes, sombras daquilo que queria te dizer, do amor que eu queria vomitar de forma doce em cima de você.
E, ficamos daqui você, e eu de lá, a ter as palavras entupidas de calorias, quase a provocar uma diabets em nossos organismo. Falta.

E agora penso em você que disponibiliza um pouco do seu tempo para ler-me. Agradeço-te, pois só assim, só sabendo que estou a comunicar-me(ou pelo menos tentando) é que alivia-se um pouco o peso do fardo do mundo não abraçado, não tido por completo. E uma flor morre ali, pra quem sabe em outros tempos renascer mais bonita.
E beleza, beleza, beleza. Como és belo esse serenar. Essa confusão pairando no ar. Sentimentos que dificilmente se extiguirão, pois eles estão em cada gota pequenina e translúcida de qualquer arco-íris que vier a existir em seus olhos, olhos meus também, que fazem sombra na íris.

E te perguntam: - Como estás? E você responde que a dor não entristece, o que dói é a aflição de não ter pra onde ir. Pobre vida a dos poetas, a melhor das vidas. O apreço pela dor, a tendencia para a solidão. Beleza plena. Estética que me enlouquece e me enche de vida.

Respondo-te: - Nada foi por acaso. Tudo com a mais intensa intenção. Pode mudar o que preciso for, pode mexer no que tiver que ser por qualquer magia. Mas importo-me se for po mera diversão! E isso é um caítulo a parte. Importar-me-ei com qualquer coisa que se atreva ao seu respeito dizer, e perecerei do mais esdrúxulo ciúme, aquele que se sente e nada se pode fazer. Afinal, longe do meu alcance estarás, e as uvas em cachos não mais me pertencerão.


"É como se a gente presentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa afflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou o medo de ficar
Vazio demais meu coração"
*

2 comentários:

RUDE disse...

"pode vomitar seu amor sim"
:-)

Traveler disse...

Depois de ler,
Inúmeras e inúmeras vezes...
Depois de pensar,
Inúmeras e inúmeras vezes...
E me perder,
Inúmeras e inúmeras vezes...
O futuro me é estranho...
As dádivas esquecidas se mostram distantes...
Até as reticências perderem seu sentido...
Sempre irá aguentar, firme como uma rocha...
E por mais que a razão, insista em impor um limite nessa explosão, ela continuará a se expandir, até o infinito, até onde não subsista qualquer matéria, qualquer coisa física.
Onde só exista a plenitude, a buscada perfeição...
Então, a partir desse momento, estará guardado aqui, o que for bom, o que tiver valido a pena.
E por mais que essa lógica que insiste em tomar o controle tente subverter o verdadeiro, ele sempre voltará à tona. Sempre estará disposto a voltar fazer tudo valer a pena, a encontrar de novo um caminho, a se prender no mínimo sorriso, num perdido gesto, num esquecido olhar...
"Assim sendo, se tiver de inspirar, que inspire!
Meu coração é um balde despejado!"
E eu estou aqui.
Sempre estarei.
Sempre subsistirei.
Entre uma palavra e um instante de tempo, entre todos que se manifestarem, daqui a 5 minutos ou a dezenas de meses,
Existirá.