julho 10, 2011

Ný batterí ou sobre as pilhas novas inseridas

Ainda bem que já não somos os mesmos. Coisas, acontecimentos. As estrelas desceram, escorreram pela face e se transformaram em vida. Assim, à noite, elas já não se materializam em gotinhas salgadas, já não remetem à uma saudade doentia, ou quem sabe àquela simples dependência. Gosto da sensanção de energia novo. Gosto de ver seus olhos florirem. Gosto da noite e das estruturas transparentes aquosas que bailam de cima para baixo sobre a sua pele - minha.


Estou nadando muito. Sempre e por quase todos os lados. Mesmo sem saber como faço para nadar. Estou indo, sentindo cada brisa colorir a minha alma. E são tantas as cores que o mundo imprime em mim... espero que lá do outro lado, onde a língua é mais confusa, a mesma alegria invada de vez e por vez tambem o seu coração.






*Imagem gentilmente roubada do artista Bruno Nunes






maio 19, 2011

Sobre a delicadeza: ou, o que resta da beleza na humanidade.

É preciso tempo pra deglutir, degustar todas as coisas boas que felizmente recaem sobre o meu cotidiano. Ontem estava a pensar: preciso de um gravador. Em simples 20 minutos, tempo de caminhada até o lugar onde trabalho, percebi tantas coisas. Tanta beleza que só poderia ter sido produzida por nós - afirmação feita sem ego negativo. Cheiro de amaciante em roupa lavada, que me traz tantas boas recordações...e o turbilhão de boas sensações que isso me causou e me causa. O tênis novo e branco. Os cachorrinhos na rua. Morria em mim um mal humor...de ter acordado cedo, de estar chovendo...mas, diante da vida acontecendo e pulsando ali diante mesmo dos meus olhos, não pude deixar de sorrir, e perceber que a maneira com a qual acabamos seguindo nossos dias, trabalho, problemas, stress, cobrança, impedem que o canal da nossa sensibilidade impere. Gosto dessa quebra de ritmo. Gosto de tempo para respirar, para lembrar dos acontecimentos bons que eu ja presenciei. Gosto de sentir a beleza escorrendo pelas mãos dos homens, gosto de admirar a maneira como alguns ainda lidam com delicadeza com o que é vivo. Gosto de me sentir viva, de saber que os meus órgãos estão funcionando bem, apesar daqueles dois hot-dogs ontem...rs.

Adoro sonhar. Com meu corpo em outro lugar, respirando o cheiro de outras flores, ouvindo o som de outros mares. Tenho um pouco de medo, pois às vezes tenho vontade de estar em todos lugares, de jogar pedrinhas em todos os rios, de tomar por fim aquela taça de vinho com aquela borboleta - coisas a resolver talvez. Tenho saudades de tantos outros momentos bons. Tenho saudade da praça que fica em frente à igreja com teto de ouro, tenho saudade de comprar água em dias de verão. De comer acerola em um dia dourado. De cerveja para acompanhar a contemplação de uma paisagem que nunca mais será a mesma diante de nossos olhos.

Sonhos. Os tenho em grande quantidade. E gosto de elencar aqueles que já bailaram diante de mim, para eu ter a doce sensação de que tudo é possível, de que a realização desles, só depende do tamanho da força da nossa atração.

O mundo é bom e novo como o tom da minha paixão. O mundo é lindo e velho como o tronco da minha vontade de escrever um livro. O mundo é quente como uma drusa de ametista.




abril 06, 2011

Cigarrets

Hoje deixarei algumas pessoas tristes. Talvez consiga eu, permear em seu imaginário, quiçá em sua pele, a difícil tarefa que o meu cerebro (que já não é tão leve e sadio quanto o de um adolescente) teve que enfrentar. Talvez episódios como esses acontecam para o fortalecimento de um ser que não tem estrutura física nem psicológica para conflitos. Mas não me refiro a coisas que de uma certa forma tenham fundamentação no mundo daqueles que carregam um pouco de "sanidade". Falo de episódios surreais, que se tangessem para o lado bom eu adoraria, mas, infelizmente, tangem para uma espécie de loucura sádica, 'tortura Hitleriana', se é que essa palavra existe. Algo que degrade, que te de deixe perdido no emaranhado de pensamentos que queiram talvez justificar os atos de alguém cujo raciocínio você não entende, nem nunca entederá. Não por nunca ter se esforçado em fazê-lo, mas justamente por nunca ter compactuado com tal dissimulação gestual, icônica, moralista, ideológica. Até por que, pertubar a mente, fazer chorar, menosprezar, não são ofícios que eu em algum momento achei bacana.
No fim, acho que o sadismo se desfez, pois finalmente chegaram às retinas as gotinhas translúcidas. Quente foi a sensação que elas provocaram ao bailarem face abaixo. Acho que o bom mesmo foi o menino do cigarro. Que apesar de não estar se fazendo muito bem, segurou o meu nariz, impedindo que ele colidisse com o chão. Peço até desculpas por ter causado ciúmes na moça que, mesmo estando no lugar onde a brisa se fazia, calor sentia. E um outro obrigada ao Arnaldo, por ter se desculpado por ter me feito chorar :)

"Desculpe, se eu fiz você chorar
Te esqueça. Olhe, o sol chegou.
Me abrace. Diga-me o meu nome. Diga que você me quer..."

*Tela: Íris, no jardim, de Monet